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Os Prossumidores de Energia: de coadjuvantes no sistema tradicional para protagonistas com a Revolução da Energia Solar

O início do século 21 vêm testemunhando uma verdadeira Revolução no setor energético. A crescente demanda por energia exige uma resposta à altura do lado da oferta. E o modelo tradicional dessa oferta segue um padrão de uso de fontes poluentes: a queima de combustíveis fósseis para geração de energia é o principal causador da emissão de gases de efeito estufa e da crise climática que o mundo vive. Esse modelo tradicional, desenvolvido no século 20, se caracteriza pela geração centralizada e um fluxo unidirecional de energia: as concessionárias fornecem a energia e nós consumidores a recebemos e simplesmente pagamos a conta de luz no final do mês.

Inicialmente pelas restrições ambientais, surgiram recentemente inovações tecnológicas na geração de energia, com a incorporação de fontes renováveis, principalmente a solar e eólica. Especialmente a energia solar está dando as ferramentas para o poder migrar aos poucos para as mãos dos consumidores, criando uma verdadeira Revolução da Energia Solar. Nesse novo modelo, os consumidores assumem um papel mais ativo, colocando painéis solares em seus telhados e gerando sua própria energia.

Essa aproximação da geração energética das nossas casas é o que vem sendo chamado de geração distribuída (GD). A GD possibilita a geração de energia solar próxima ao local de consumo e cria um fluxo bidirecional de energia: a unidade consumidora puxa e injeta energia na rede elétrica nos momentos em que a geração de energia for maior do que o consumo.

Essa nova realidade cria a figura do “prossumidor”. Essa é uma palavra inventada (neologismo) e muito usada dentro do setor de energia, que significa a junção das figuras de produtor e consumidor. Ou seja, esse novo ator do sistema produz a energia em seu telhado, e a consome diretamente em sua casa, dependendo menos das grandes empresas energéticas.

O prossumidor representa uma tendência similar à tendência que tem atingido o setor de informação e comunicação. Antes era uma via única: do rádio e TV para nós, consumidores passivos. Hoje, com a internet e as mídias sociais, nós não só consumimos (lemos ou assistimos) o conteúdo, como também o produzimos, quando postamos algo no feed do Facebook/Instagram ou gravamos um vídeo para o Youtube.

Mas porque isso está acontecendo com a energia?

Algumas forças têm atuado como molas propulsoras dessa mudança de paradigma. A principal delas é econômica, e tem a ver com o preço da conta de luz cobrado pelas distribuidoras (tarifa de energia). Essa tarifa é cada vez mais cara. No Rio, o preço pro consumidor final subiu 105% de 2009 a 2019, ou seja, mais que dobrou. A energia solar, por outro lado, está cada vez mais barata: os custos dessa fonte caíram 85% desde 2010. Ou seja, instalar placas de energia solar no telhado de uma residência é mais do que uma alternativa boa para o meio ambiente; é uma alternativa com benefícios econômicos, especialmente no Brasil e na cidade do Rio de Janeiro, onde o sol é abundante.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), a energia solar representa 99,8% das instalações de geração distribuída no Brasil, num total de 171 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede e mais de R$ 10 bilhões investidos desde o surgimento do mercado no país em 2012.

O avanço da energia solar nos últimos anos tem se tornado uma realidade principalmente pela evolução tecnológica, que tem aumentado a eficiência dos painéis e levado a uma queda radical de preços, ano após ano. Vislumbra-se um cenário de mudanças radicais nos próximos anos na direção da energia solar, que torna-se claro e urgente, em função destas 3 variáveis: imperativo ambiental, aumento sistemático dos preços de energia convencional e redução também sistemática do preço da energia solar. Essa Revolução Solar é uma inovação radical, com benefícios concretos e urgentes para a economia, para a sociedade e para o meio-ambiente.

Em número de sistemas fotovoltaicos instalados no Brasil, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 72,60% do total. Ou seja, são mais de 124 mil famílias brasileiras prossumidoras. Em seguida, aparecem as empresas dos setores de comércio e serviços (17,99%), consumidores rurais (6,25%), indústrias (2,68%), poder público (0,43%) e outros tipos, como serviços públicos (0,04%) e iluminação pública (0,01%).

E a revolução promete não parar por aí. Com o avanço da tecnologia de armazenamento de energia (baterias), está surgindo uma evolução do prossumidor. É o que o Dr. Sioshansi em seu novo livro chama de ‘prosumager’ (producer + consumer + storager). Mas isso é assunto para outro texto…

O maior empoderamento do consumidor traz a necessidade de um maior entendimento do sistema energético por parte de toda a sociedade. Por isso, na Revolusolar buscamos não só promover instalações solares, mas também produzir e disseminar informação.

Algumas dicas de livros para quem quiser conhecer um pouco mais desses conceitos: ‘Consumer, Prosumer, Prosumager’ de Fereidoon Sioshansi (2019) e ‘Clean Disruption of Energy and Transportation’, de Tony Seba (2014).

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Eduardo Avila é economista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e entusiasta por inovação e sustentabilidade. Desde 2018 atua na gestão da Revolusolar e hoje é diretor executivo.

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