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Os 5 Impactos Sociais da Geração Distribuída de Energia

Já falamos aqui sobre as Quatro Grandes Transformações da Transição Energética. Essas transformações podem ser ilustradas com 4 Ds.
Os 3 primeiros Ds são bastante citados entre especialistas do setor:

  • Descarbonização
  • Descentralização
  • Digitalização

 

O quarto D, pouco falado, é o da democratização.

O modelo energético tradicional é baseado na geração centralizada de energia, com fortes impactos socioambientais. No Brasil, a energia é em grande parte gerada por hidrelétricas que, apesar de ser uma fonte renovável, causa graves impactos socioambientais. Para chegar até nossas casas, essa energia passa ainda por linhas de transmissão, que também possuem fortes impactos socioambientais onde são construídas.

Com a recente difusão da tecnologia da energia solar fotovoltaica e o barateamento dos equipamentos, agora podemos gerar energia, perto de onde consumimos. Isso é o que chamamos de Geração Distribuída (GD).

Mas, para além da questão ambiental, a energia solar tem um potencial imenso para a sustentabilidade por outro motivo. Esta tecnologia pode ser uma das mais importantes ferramentas de transformação social do século 21, principalmente na modalidade de GD. Neste texto, citaremos 5 grandes impactos sociais positivos para a população.

1 – No Bolso (redução de despesas com energia)

Enquanto os equipamentos solares ficaram cerca de 85% mais baratos na última década, a tarifa de energia elétrica mais que dobrou de preço no mesmo período (no Rio, o aumento foi de 106%).

Um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU é justamente que, até 2030, todos tenham acesso a energia a preços acessíveis. No atual cenário de crise econômica e sanitária que vivemos no Brasil, a redução de despesas proporcionada pela energia solar tem sido de extrema importância.

Famílias com renda entre um e cinco salários mínimos mensais foram as maiores afetadas pela significativa alta nas tarifas de energia elétrica. De acordo com dados do IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 0,82% em fevereiro deste ano, percentual acima do que foi registrado em janeiro, de 0,27%.

Assim, quem opta por investir nas instalações solares consegue ter uma enorme economia em gastos com energia, que podem, por sua vez, ser direcionados para outros setores da economia.

2 – Geração de empregos

O segundo impacto é relativo aos empregos. Em um contexto de alto desemprego que vivemos no Brasil, algumas informações apresentadas pelo setor solar são animadoras.

Dados da Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – IRENA) mostram que a energia solar é a fonte de energia renovável que mais gera empregos no mundo. Segundo a ABSolar, a cada novo megawatt (MW) instalado, o setor acresce entre 25 e 30 novos empregos, sendo grande parte deles empregos locais.

Além disso, são empregos que remuneram acima do valor médio de salários da economia, aumentando a renda das famílias e impulsionando a economia nas regiões em que são feitas as instalações (ABSOLAR, 2020).

Na Revolusolar, oferecemos cursos de capacitação de eletricista e instalador(a) aos moradores das favelas. Com isso, além de criar emprego/renda, a população local realiza as instalações da própria comunidade e assume protagonismo no novo sistema de energia.

3 – Conscientização ambiental

Ao aproximar o consumidor da geração de energia, a GD promove mais envolvimento com o setor elétrico e parece promover uma maior conscientização ambiental da população que recebe essas instalações. No setor elétrico tradicional, distante do consumidor final, esse envolvimento e conscientização praticamente não existiam.

Entender como funciona a dinâmica da geração de energia até o uso da eletricidade e se envolver diretamente com o setor faz com que o público perceba mais seu próprio consumo, o que pode levar ao desenvolvimento de hábitos mais sustentáveis de consumo.

Na Revolusolar, fomentamos essa ideia principalmente com os mais novos: realizamos oficinas infantis com as crianças residentes das comunidades que as introduzem à energia solar e à sustentabilidade.

4 – Fornecimento de energia em locais remotos

O quarto impacto da energia solar é que, ao tornar possível a geração de energia próxima ao local de consumo, a dependência de grandes redes elétricas se torna menor.

Existem casos em que os investimentos na expansão da rede elétrica não são atrativos economicamente. Isso acontece principalmente em regiões isoladas dos grandes centros urbanos, com baixa densidade populacional. A tarifa paga pelos poucos consumidores da região não cobre a remuneração esperada dos investimentos fixos em infraestrutura elétrica.

Com a geração distribuída, esses locais podem ter acesso à eletricidade por conta própria. Podem ser construídas microrredes de energia elétrica, parcial ou totalmente desconectadas da rede principal.

4 – Novos modelos de organização social comunitária

Por fim, o último impacto é a possibilidade de novos modelos de organização comunitária. Tendo em vista que a indústria de energia se baseia tradicionalmente em grandes empresas centralizadas, os consumidores e comunidades não possuem papel importante nesse setor. Com energia mais acessível e sustentável gerada localmente, empregos, conscientização e novas possibilidades urbanas, são criadas novas formas de organização comunitária, via cooperativas, por exemplo, mais resilientes e sustentáveis.

É o que a Revolusolar está trabalhando para criar nas favelas do Rio de Janeiro, com a primeira cooperativa de energia solar em favelas do Brasil!

Eduardo Avila é economista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e entusiasta por inovação e sustentabilidade. Desde 2018 atua na gestão da Revolusolar e hoje é diretor executivo.

Você pode fazer a diferença!

Ajude a promover o desenvolvimento sustentável das favelas através da energia solar. Seja um apoiador da Revolusolar e contribua para um mundo mais inclusivo e sustentável.

Com sua doação, conseguimos manter nossa estrutura independente, além de promover instalação de placas solares na favela, cursos de formação profissional e oficinas infantis nas comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Rio de Janeiro.

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