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Os 2 impactos ambientais negativos da energia solar que nunca te contaram

É considerado impacto ambiental “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais” – Resolução CONAMA 001/86.

Seria ingênuo pensarmos que a energia solar não tem impactos ambientais, não é mesmo? O bom é que são diversos impactos ambientais positivos – é uma fonte de energia renovável, limpa e muito disponível, capaz de levar energia a lugares remotos, de gerar empregos, necessita de pouca manutenção, entre muitos outros.

Mas e os impactos negativos da energia solar?

Os painéis fotovoltaicos de silício – os mais utilizados no mundo e aqueles que provavelmente você conhece – passam por um longo processo produtivo até poderem ser instalados em telhados (Geração Distribuída – GD) ou numa usina solar (Geração Centralizada – GC).

Para produzir as células fotovoltaicas são necessárias inicialmente atividades de mineração que podem gerar contaminação de águas superficiais, remoção de vegetação, contaminação dos solos, evasão forçada de animais silvestres previamente existentes na área de extração mineral etc. Além desses, para produzir as células solares é necessária uma enorme quantidade de energia e o grande problema é que a principal produtora – a China – tem uma matriz energética com 85,4% da energia primária gerada a partir de fontes não renováveis, sendo o carvão a principal fonte (68%) – BP Statistical Review (2019). Sem falar nos impactos ambientais para trazer essas células para o Brasil…

O Brasil pode importar os módulos prontos ou fabricá-los aqui com as células importadas. Quando o painel fica pronto ele pode ter dois destinos principais: GD e GC. Na GD, são poucos os impactos ambientais negativos, diferentemente do que se observa na GC. Para a implantação de grandes usinas solares são necessárias vastas áreas, o que pode levar a perda de cobertura vegetal nativa, mudança na paisagem, formação de áreas degradadas, intensificação de processos erosivos, perda de habitat para a fauna local etc.

Depois que os módulos e placas fotovoltaicas chegam ao fim de sua vida útil (eles duram de 25 a 30 anos, mas podem ser substituídos muito antes disso) eles se tornam um resíduo. O que fazer com eles? Um gerenciamento incorreto dos resíduos fotovoltaicos envolve a perda de metais escassos e preciosos (por exemplo, prata, cobre, gálio , índio , germânio) e materiais convencionais (como alumínio e vidro) e importantes questões ambientais decorrentes da liberação de substâncias perigosas, como o chumbo, metal altamente tóxico. A reciclagem dos painéis tem se mostrado como a opção mais adequada, mas são necessárias políticas e normas que a torne como obrigatória ou pelo menos incentivada.

Mesmo com todos os impactos ambientais negativos expostos, é importante evidenciar que a escolha da utilização da energia solar é muito positiva quando comparada a outras fontes de energia, principalmente de origem fóssil.

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* Anna Carolina Sermarini é engenheira ambiental pela UFRJ e trabalha no Instituto de Energia da PUC-Rio: atua como especialista em um Projeto de P&D em energia solar fotovoltaica e é voluntária da Revolusolar.


Fonte do único dado estatístico:
BP Statistical Review – 2019. China’s energy market in 2018. Disponível em: https://www.bp.com/content/dam/bp/business-sites/en/global/corporate/pdfs/energy-economics/statistical-review/bp-stats-review-2019-china-insights.pdf.

Comments.

  • CRISTIANO DE ASSIS MORAES NETO

    Vocês fornecem as placas e demais acessórios para a gente montar ?
    Como. Multiplicar isso em minha região no vale do aço MG.

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