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5 Lições na luta contra o Racismo

Acontecimentos sombrios marcaram nosso ano, em especial a repressão a pessoas negras, uma repressão que nunca deixou de existir mais que ganhou uma visibilidade enorme por meio do ciberativismo e movimentos que tomaram as ruas de alguns países clamando por justiça e igualdade.

Uma coisa ficou bem clara durante essa movimentação: Não basta não ser racista, você precisa ser antirracista!

Nosso país é racista desde o princípio e infelizmente temos um povo acostumado a mascarar a discriminação e a negar que temos SIM um problema a resolver. O brasileiro dificilmente assumi que é racista, mas sempre se lembra dos “amigos que são”, além disso, o posicionamento em relação a luta para descontruir esse mal é totalmente frio, como se o problema fosse só de quem é negro.

Hoje, no dia em que comemoramos a Consciência negra, queremos te convidar a repensar algumas das suas convicções e embarcar com a gente em 05 lições muito especiais que você DEVE conhecer. Essas lições fazem parte de uma obra simples, porém necessária, O Pequeno Manual Antirracista da filósofa Djamila Ribeiro. Com esse livro você vai aprender a ser um verdadeiro membro atuante na luta contra o racismo.

1 – Entenda que racismo é um problema estrutural

Tenha a consciência de que falar sobre o racismo no Brasil, é fazer um debate estrutural. É necessário abordar as perspectivas históricas e começar pela relação entre escravidão (um dos eventos, se não o mais marcante da nossa sociedade) e o enraizamento do racismo na nossa cultura. A partir da reflexão desses cenários, você vai conseguir traçar um mapa de consequências que penduram até hoje.

2 – Reconheça os privilégios da branquitude

Todos devem questionar a ausência de pessoas negras em posições de gerência dentro de empresas, autores negros de destaque, pensadores negros na bibliografia de cursos universitários, protagonistas negros no audiovisual, além da ausência de médicos, juízes, professores universitários e governantes negros. Reflita sobre o discurso de mérito que foi pregado a você e lembre-se que muitas pessoas negras não tiveram a oportunidade de tentar assumir algum desses postos.

3 – Questione o que você tem feito por essa luta

O que, de fato, cada um de nós tem feito e pode fazer pela luta antirracista? O que nós temos consumido como cultura? Com quais ideias temos compactuado? Fazer perguntas, entender seu lugar e duvidar do que parece “natural” é a primeira medida para evitar reproduzir esse tipo de sistema, que privilegia uns e oprime outros. Entender como você tem agido em relação a essa luta pode ser a forma mais eficientes de pensar em formas de se posicionar e agir contra o racismo.

4 – Perceba o Racismo internalizado em você

Como vimos, a maioria das pessoas admite haver racismo no Brasil, mas quase ninguém se assume como racista. Pelo contrário, o primeiro impulso de muita gente é recusar a hipótese de terem um comportamento racista: “Claro que não, afinal tenho amigos negros”. O racismo não se constitui apenas como agressões físicas, o racismo está em frases e palavras populares que você usa, está no mudar de calçada quando um homem negro vem em sua direção, estar no achar que a mulher negra é enfermeira e não a médica.

5 – Transforme seus ambientes em espaços verdadeiramente antirracista

Por fim, é preciso agir! É preciso romper com a estratégia do “negro único” em espaços como a universidade e empresas. A herança escravista faz com que muitos espaços sejam particularmente racistas, e isso torna a mudança de consciência nesses espaços ainda mais transformadora. Leve a discussão para seus ambientes, promova a reflexão das pessoas ao seu redor, contribua ativamente para a inclusão de pessoas negras e não se cale ao presenciar uma injustiça. Use dos seus privilégios para erguer pessoas e dar voz a essa causa que ainda precisa muito ser ouvida.

Dia de consciência negra, não precisa ser só um dia, deve ser sua rotina!

Nérila Moraes é empreendedora social e estudante de comunicação. Atua em projetos sociais de forma voluntária como forma de dar voz as causas que acredita. Faz parte do time de comunicação da Revolusolar.

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